segunda-feira, 6 de abril de 2009

Ninguém Mais


Carlos perdera contato com Daniella há muito tempo, desde que haviam rompido o namoro. Ele não pensava mais nela, não sabia se ela ainda pensava nele, preferia não saber. A relação deles acabara da forma errada. Uma botão de rosa esmagado pelos pés de um garoto travesso.  Havia muito que não se viam, não se lembrava mais quanto tempo tinha. 

Mas naquele dia Carlos viu Daniella novamente. Estavam a passar férias no mesmo hotel-fazenda. Quando a avistou pela primeira vez, não acreditou, achou que seus olhos o pregavam uma peça. Ela olhou para o lado e sorriu para alguém. Ninguém mais possuía aquele sorriso, ninguém mais sabia sorrir como ela. Ele podia ouvir o próprio coração a bater, calafrios silenciosos. De onde vinha aquele calor insuportável? Ela vinha na direção dele, sabia que ele estava ali? Estaria acompanhada? 

Alguém chamou Carlos. Ele olhou. Um amigo movia os lábios dizendo alguma coisa. Levantaram-se e partiram de volta para seus quartos. Ela passara por ele, teria notado-o ali? 

Carlos sentou na beirada da cama. Pensou um pouco. Tomou banho, se vestiu e saiu novamente. Haveria uma pequena festa no hotel. Uma banda tocava, pessoas dançavam, algumas sentadas comiam. Ela avistou Daniella a conversar com alguém. Seu longo vestido azul quase tocava o chão, mas deixava as sandálias em seus pés à vista. O negro cabelo encaracolado ia até o ombro. Ela o viu. Ele sorriu, foi a vez dela ficar surpresa. Aproximaram-se, conversaram. Ele a fez sorrir como fazia no passado, ela retribuiu, não haviam mudado nada. Quando a festa terminou, foram para seus cômodos. Durante toda a semana saíram. Ele lembrou o quanto a amara, lembrou o quanto a tentara esquecer, lembrou como nunca conseguira. Ela o estava conquistando novamente, não fazia nada além de ser ela mesma. Carlos sabia que Daniella também não era indiferente a ele. A cada dia o sorriso dela se tornava mais bonito, cada vez mais envolvente, mais sereno. E como duas crianças a jogar queimado, eles se relacionavam. Alegres, saudosos, felizes, esperando um que o outro se movesse primeiro.

No último dia no hotel, Carlos e Daniella saíram para passear. Ela sentou-se a beira de um lago e ele ficou a jogar pedras na água. Ficaram assim por alguns minutos, calados. Carlos então se sentou ao seu lado e a observou. Olhar distante, pensava em mais coisas do que ele poderia tentar imaginar. Ele tocou-lhe os cabelos. Ela olhou-o. Ele se aproximou para beijá-la...

Carlos acordou. Sentou-se ao lado da cama e ficou em silêncio. Teria sido sonho ou pesadelo? Quanto tempo fazia que não a via? Não se lembrava mais, preferia não lembrar. Não sabia se ela ainda pensava nele, preferia não saber. Sabia apenas que desde aquele dia não sonhara mais. Ficou ali, travesseiro sobre as pernas, mudo.

4 comentários:

  1. Um amigo meu disse-me "O sono não sente mais dor" - Trecho retirado de uma canção.

    Li o post e penso o quanto a vida nos aluga coisas que não podemos pagar e mais tarde nos pede de volta o que nao queremos devolver...

    Parabéns ao Pierrot...
    http://misskidha.blogspot.com/

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  2. Esses dias algumas pessoas me disseram a mesma frase sem saber: "O passado nos persegue"
    Estou começando a acreditar...

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  3. Sonhos Alegres; Recordações Alegres, se tornam tristes quando a relidade volta.

    Parabéns Pelo blog.

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  4. Meus sonhos são minha fuga
    Lá ninguem me perturba.
    Sou livre posso voar,
    Amar...ser feliz...me apaixonar.
    Meus sonhos ninguem pode roubar,
    São só meus...
    Queria jamais acordar...


    Beijos

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Queres sussurar algo ao Pierrot? Vá em frente, mas talvez ele esteja demasiadamente imerso na própria loucura para escutar suas palavras sibiladas...