segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

O Verme


As pessoas costumam tentar ignorar os sentimentos que as fazem sofrer...
Os escondem... dentro de si... e saem de casa sorrindo...
Mas aos poucos aquele sentimento vai pesando... ficando apertado...
Aos poucos o sorriso vai se apagando... e sem perceber a pessoas se torna melancólica...
Aqueles próximos a avisam... mas ela não sabe o porquê... não consegue entender...
Por que está melancólica? Por que sorrisos não são mais fáceis como eram?
Não entende... não quer entender... se recusa a aceitar...
...
E seu estado vai se tornando mais e mais agravado...
Logo o sol parece sempre coberto por nuvens... a chuva lembra lágrimas...
Lágrimas que não consegue mais derramar... desaprendera...
O caminhar parece pesado... o chão revida a cada passo...
O caminho de sempre parece não levar a lugar algum...
...
Então ele percebe... percebe que escondera... enganara...
Mas jamais conseguira fazê-lo para si...
E passa a se perguntar até quando aquele verme vai continuar ali...
Comendo sua carne... em dor silenciosa... perto demais...
...
Alguns se sentem distantes... como se pessoas fossem sussurros...
Outras se sentem sujas... como se estivessem apodrecendo por dentro...
Algumas só revelam seus sentimentos quando ninguém as observa...
Acessos de raiva... querem se livrar daquilo e não conseguem...
Lágrimas derramadas... choram por não conseguirem esquecer...
Gargalhadas histéricas... riem de si mesmos...
...
Loucos... todos se tornam intangíveis...
E enquanto aquela pequena criatura se mantiver aninhada dentro dela,
nada fará muita diferença... a não ser o que lhe deu origem...
...
Lembranças se tornam perigosas... uma simples palavra pode turvar o caminho...
Um perfume pode causar desespero... uma rua pode parecer longa demais...
E quanto a fotos... algumas se tornam objetos assustadores...
Causando repulsa, elas se recusam a olhá-las... como se fossem horrendas cenas de um crime...
...
Mas como se recuperar dessa criatura que vive tão perto?
A resposta é tão simples que muitos a ignoram...
Elas não se recuperam...
Apenas aprendem a conviver com aquele verme... aprendem a suportar a dor...
E se tiverem sorte aprendem a ignorá-lo... mas nunca livram-se dele...
Ele sempre viverá perto demais...
...
E então criança... você me parece ter visto muitos rostos... quantos desses já carrega?

3 comentários:

  1. Uma autobiografia, talvez?
    Ou uma descrição do que se ve a sua volta?
    Esses dois últimos textos ficaram ótimos, também porque eu me identifiquei bastante com ambos.
    Uma sugestão (não quanto ao conteúdo): voce usa reticencias muitas vezes, isso acaba as banalizando. Que tal usar mais vírgulas ou pontos? Na minha humilde opinião ficaria melhor ainda.

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  2. Esses dois textos a que se refere são velhos. Vem de tempos em que ainda não escrevia muito bem, por isso o uso demasiado das reticencias. Fiz questão de mantê-los iguais aos originais, mesmo afetando um pouco a qualidade.
    Meus sinceros agradecimentos pelo comentário.

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  3. Que isso, ja tinha passado por aqui, so nao comentei, gostei dos textos e da obscuridade deles, valeus, continuemos!

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Queres sussurar algo ao Pierrot? Vá em frente, mas talvez ele esteja demasiadamente imerso na própria loucura para escutar suas palavras sibiladas...