sábado, 31 de janeiro de 2009

Fios de Prata


Pessoas dizem que a vida é demasiadamente curta, fato intrigante, uma vez que sempre pensei o oposto.

Devido à grande longevidade humana, podemos cometer muitos erros e, conseqüêntemente, precisamos de cada vez mais tempo para repará-los. Vivemos uma política de reparar danos e causar novos. A vida passa e percebemos que já disparamos tantas balas envenenadas que não viveremos o suficiente para desinfetar e suturar todas as feridas.

Menos remorsos teríamos se vivêssemos tanto quanto cães. 14 anos seriam insuficiêntes para tantos erros. Ainda jovens consideraríamos nossas mancadas nada mais que pequeninas turbulências sem importância.

Quanto mais velho, maior o peso dos erros e mais curvados por ele se tornam os homens. Passam a olhar para trás e culpar seus resistentes fios de prata. Amores perdidos, mentiras espalhadas, traições, abandonos. Reclamam de uma vida muito curta quando foi por ela ser longa que foram aflingidos por tantas angústias. Quando foi por ser tão longa que tiveram a oportunidade de cometer tantos equívocos.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Queres sussurar algo ao Pierrot? Vá em frente, mas talvez ele esteja demasiadamente imerso na própria loucura para escutar suas palavras sibiladas...