quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Cento e trinta e dois


As janelas de madeira fechadas deixam o quarto com uma temperatura constante. Assim que abre os olhos um raio de luz lhe fere a vista. Como o maldito conseguira passar pela janela fechada? Não interessa, é tarde e o despertador grita estridentemente. Um tapa e ele se cala. Queria ele que tudo fosse assim...

Camisa. Calça. Sapatos. Motivação. Ele se move apressado. O tempo é pequeno e o caminho longo. Joga um casaco nas costas e sai . Um, dois, três, cento e trinta e dois degraus, memorizou ele. No térreo ele vê a infeliz placa que todos os dias suga seu animo com mórbida frieza. "Elevador em reforma" ri ele melancolicamente.

Ruas, barulho, ruas, gente, ruas, trabalho. O dia se arrasta entre gemidos. Sem força para raciocinar muito, ele permanece completando as tarefas sem ao menos perceber que o faz. Inquieto olha o relógio. Falta muito e parece aumentar. Olha mais uma vez, o tempo não avança.

Caminha de volta. O dia se fora. Não vira o sol e não verá a lua. Cansado demais para lembrar das estrelas ele marcha de volta. Um, dois, três, cento e trinta e dois degraus. Passa pela porta. Camisa. Calça. Sapatos. Se livra do pesado uniforme. As janelas de madeira fechadas mantém uma temperatura constante no quarto. Deita-se e enquanto adormece se pergunta como será seu amanhã.

2 comentários:

  1. O vida do humanóide pós-moderno realmente se reduz a essa imagem abstrata e ausente a si mesmo, tanto em si quanto nos seus albergues existenciais e metafísicos em que insiste permanecer.
    Now, that's cool, man!

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Queres sussurar algo ao Pierrot? Vá em frente, mas talvez ele esteja demasiadamente imerso na própria loucura para escutar suas palavras sibiladas...